Religafro

O grupo de Pesquisa e Extensão Religafro reune-se quinzenalmente nas Terças-Feiras, as 17h, no NEAB para estudos e discussões sobre as religiões de matriz afrobrasileiras e assuntos adrede.

Apresentação e justificativa:

Os estudos clássicos sobre religiões afro-brasileiras remetem à África, mostrando que a existência de várias religiões e religiosidades naquele continente é um elemento inicialmente importante para que possamos compreender a diversidade das religiões afro-brasileiras hoje. No Brasil, houve o encontro dessas várias religiões nos navios escravistas. Na chegada, a separação dessas várias religiões, etnias, grupos religiosos, familiares, clãs, impulsionou diferentes formações religiosas nas diferentes regiões do país. Essas diferentes formações se deram pelo contato com as religiões indígenas já existentes, pela influência da religião católica que aqui praticava no período colonial, e também pelo contato com diferentes grupos étnicos oriundos de outros países, influindo na criação ou ressignificação destas religiões. 
Diante da importância da valorização desta diversidade, nas últimas décadas o país criou uma ordenação legal permitindo que estas manifestações religiosas sejam reconhecidas, suas comunidades sejam respeitadas e tenham direitos e prerrogativas que são comuns aos demais cidadãos e aos grupos religiosos de outras origens. A especificidade da presença de comunidades tradicionais está nos avanços constitucionais recentes: artigos constitucionais 68, 231, 215 e o Decreto 6040, da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais . Nessa legislação os Povos e Comunidades Tradicionais caracterizam-se por organização social própria, pelo uso de territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica. 
Os territórios tradicionais são os espaços necessários à esta reprodução. O estado do Espírito Santo compõe a geografia das religiões de origem africana e afro-brasileira, mas a invisibilidade dos afro-religiosos pode ser constatada olhando-se os dados sobre religião no censo de 2000 elaborado pelo IBGE. Segundo os dados ali constantes, os afro-religiosos são classificados em Umbandistas, com 4.416 adeptos (0,14% do total) e os Candomblecistas, com 712 adeptos (0,02% do total) de religiosos no estado. A baixa taxa de declarantes das religiões afro-brasileiras é atribuída à intolerância religiosa e à discriminação, acarretando a invisibilização destas práticas e das respectivas comunidades. As pessoas que professam sua fé nas religiões afro-brasileiras, são vistas com desconfiança e/ou hostilidade pela sociedade em geral.
A intolerância que atinge esses crentes e às suas práticas se manifesta em outras formas de preconceito no Brasil, tentando inibir manifestações públicas e direito à igualdade religiosa. As causas históricas e sociológicas da intolerância são muitas, com destaque para o imaginário negativo associado às religiões afro-brasileiras, fundado no preconceito de raça/cor em relação às práticas culturais negras no país. Enfim, coloca-se na ordem do dia a necessidade e importância de ações que valorizem a diversidade cultural, que promovam a visibilidade das comunidades de terreiros, fazendo com que estes saberes tenham incentivo à sua manutenção e reprodução dentro das comunidades. Os preconceitos e a intolerância devem ser rompidos também dentro da universidade. 
Com esse intuito, foi criado dentro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros – NEAB o Religafro, que é um Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão sobre Religiões Afro-Brasileiras. O Grupo supre uma demanda de alunos, professores da rede pública, pesquisadores e interessados que buscam subsídios para discutir a questão e tem propostas de estudos, pesquisa e ações vinculadas à temática, caracterizando atividades de extensão. Objetiva-se as trocas de saberes, o diálogo com pessoas das comunidades religiosas afro-brasileiras (terreiros, congo/jongo), historicamente discriminados e segregados.

Objetivos

Objetivos gerais:

Promover a visibilidade e valorizar os saberes e as práticas culturais das comunidades de religiões afro-brasileiras no contexto da diversidade cultural capixaba; Promover estudos, pesquisa e ações vinculadas à temática, fornecendo subsídios para a implementação da lei 10.639/03.

Objetivos específicos:

  1. Constituir um acervo de dados sobre as religiões afro-brasileiras (textos, material áudio-visual) que será disponibilizado pelo NEAB para a promoção da diversidade cultural do ES, elaboração de políticas públicas de igualdade racial, de combate à intolerância religiosa e bem como para subsidiar a aplicação da lei nº 10.639/03 e da lei nº 11.645/08;
  2. Realizar a Feira Cultural das Comunidades de Terreiro do Espírito Santo; 
  3. Promover o intercâmbio entre os grupos religiosos, a Universidade e os órgãos municipais, conselhos e associações civis que tratam da temática;
  4. Realizar uma cartografia dos terreiros no Espírito Santo, iniciando pela região metropolitana de Vitoria;
  5. Promover a visibilidade dos grupos religiosos de matriz africana;
  6. Promover oficinas de musicalidade afro-brasileira.

Metodologia

  • Reuniões de estudos e debates sobre a temática, a partir de textos previamente escolhidos;
  • Treinamento para oficineiros, acerca das especificidades da temática e do campo de atuação;
  • Realização de oficinas de musicalidade afro-brasileira;
  • Produção dos relatórios e acervo fotográfico das práticas culturais das comunidades de terreiro a partir de oficinas e colóquios envolvendo as comunidades de terreiros e os participantes do RELIGAFRO. Para este levantamento serão utilizados registro escrito e áudio-visual dos dados, com o consentimento esclarecido dos sacerdotes para este registro e para sua divulgação (atividade vinculada a disponibilidade de recursos);;
  • Realização de estudos de campo, visando a produção de uma cartografia que contemplará de forma suscita a história da existência, as condições atuais e as principais práticas culturais de casas de culto afro-religiosos (atividade vinculada a disponibilidade de recursos);
  • Realização de palestras e/ou mini-curso sobre a legislação que envolve a temática, sobre direitos e cidadania plena para os fiéis e sacerdotes e interessados em religiões afro-brasileiras;
  • Produção de textos sobre as atividades realizadas, para publicação em revistas acadêmicas e outras;
  • Realização de uma feira cultural, com exposição de dados da cartografia; exposição de fotografias coloridas; exposição de produtos da cultura material dos terreiros (comida, roupas, artesanato, instrumentos musicais e artefatos utilizados nas cerimônias); (atividade vinculada a disponibilidade de recursos);

Plano de atividades previstas

  • Reuniões de estudos e debates sobre a temática;
  • Treinamento para oficineiros - especificidades da temática e do campo de atuação; 
  • Relatórios e acervo áudio-visual das práticas culturais das comunidades de terreiro;
  • Cartografia sobre a história, as condições atuais e as principais práticas culturais de templos afro-religiosos (captação de recursos);
  • Palestras e mini-cursos sobre a legislação, direitos e cidadania plena. (captação de recursos);
  • Produção de textos para revistas acadêmicas;
  • Feira cultural, com exposição de dados da cartografia, de fotografias e de produtos da cultura material dos terreiros. (captação de recursos).

 

 

Transparência Pública
Acesso à informação

© 2013 Universidade Federal do Espírito Santo. Todos os direitos reservados.
Av. Fernando Ferrari, 514 - Goiabeiras, Vitória - ES | CEP 29075-910